Regentes escolares e alfabetização de crianças pobres em Portugal (1930-1976)

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Date

Type

Chamada Temática

Classfication

Date

Journal Title

Acta Scientiarum. Education

Journal ISSN

2178-5201

Page(s)/e-location

e69218

Language

pt, en

Source

Maringá, PR
46

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Abstract

A partir de 1930, são criadas as escolas incompletas, mais tarde designadas ‘postos de ensino e postos escolares’ em Portugal. Uma medida que parecia positiva para chegar a populações isoladas, sem escola nem condições mínimas de fixar professores/as, para combater o analfabetismo, revelou uma natureza diversa. Os objetivos deste artigo são mostrar como estes postos de ensino se dirigiram às camadas mais desfavorecidas da população quer rural quer da periferia das cidades; caracterizar a alfabetização das crianças pobres e a situação existencial destes agentes de ensino. O trabalho está alicerçado numa revisão da literatura e em investigações dos autores em arquivos institucionais, distritais e na recolha junto das escolas, no âmbito de projetos financiados pela FCT. A análise histórica da documentação permite verificar que os/as professores/as diplomados pelas Escolas Normais foram sendo substituídos pelas/os ‘regentes escolares’. Agentes de ensino, cuja habilitação necessária era, em geral, apenas possuírem a 4.ª classe, ter bom comportamento moral e mostrarem adesão ao regime. Ganhavam metade do ordenado de um/a professor/a, eram oriundas/os dos próprios locais e foram quase exclusivamente mulheres. Não haveria o perigo de fazerem circular ideias, comportamentos ou valores ‘estranhos’ à comunidade. Funcionaram como uma forma de controlo dos/as professores/as, uma vez que podiam ser facilmente substituídos/as por regentes. A escolaridade obrigatória baixou para a 3.ª classe. As crianças estavam preparadas para ouvir o sermão do padre aos domingos, trabalhar de sol a sol, sem outras ambições do que chegar a ter ‘quatro paredes caiadas’ para viver.
A partir de 1930, se crearon escuelas incompletas, luego designadas puestos de enseñanza y puestos escolares en Portugal. Una medida que parecía positiva para llegar a poblaciones aisladas, sin escuela ni condiciones mínimas para retener a los docentes, para combatir el analfabetismo, reveló un carácter diferente. Los objetivos de este artículo son mostrar cómo estos puestos de enseñanza estaban dirigidos a los sectores más desfavorecidos de la población, ya fuera rural o de la periferia de las ciudades; caracterizar la alfabetización de los niños pobres y la situación existencial de estos agentes docentes. El trabajo se basa en una revisión de la literatura y en investigaciones de los autores en archivos institucionales y distritales y en colecciones de escuelas, en el marco de proyectos financiados por la FCT. El análisis histórico de la documentación nos permite comprobar que los profesores/as egresados/as de las Escuelas Normales fueron reemplazados por regentes escolares. Agentes docentes, cuya calificación necesaria era, en general, tener sólo el cuarto grado, tener buena conducta moral y mostrar adherencia al régimen. Ganaban la mitad del salario de un/a profesor/a, eran del área local y eran casi exclusivamente mujeres. No habría peligro de hacer circular ideas, comportamientos o valores ‘extranjeros’ a la comunidad. Funcionaban como una forma de control sobre los profesores/as, ya que podían ser fácilmente reemplazados por regentes. La escolaridad obligatoria se redujo al tercer grado. Los niños/as estaban preparados para escuchar el sermón del cura los domingos, trabajaban de sol a sol, sin más ambición que tener ‘cuatro paredes encaladas’ para vivir.
From 1930 onwards, incomplete schools were created, later designated teaching posts and school posts in Portugal. A measure that seemed positive to reach isolated populations, without school or minimum conditions to retain teachers to combat illiteracy, revealed a different nature. This article aims to show how these teaching positions were aimed at the most disadvantaged sections of the population, whether rural or on the outskirts of cities; characterise the literacy of poor children and the existential situation of these teaching agents. The work is based on a literature review and investigations by the authors in institutional and district archives and collections from schools within the scope of projects financed by the FCT. The historical analysis of documentation allows us to verify that teachers who graduated from Normal Schools were replaced by regentes escolares. Teaching agents, whose necessary qualification was, in general, only having the 4th grade, having good moral behaviour and showing adherence to the regime. They earned half the salary of a teacher, were from the local area and were almost exclusively women. There would be no danger of circulating ‘foreign’ ideas, behaviours or values to the community. The regentes escolares functioned as a form of control over teachers since the former could easily replace the latter. Compulsory schooling was reduced to the 3rd grade. Children were prepared to listen to the priest's sermon on Sundays and work from dawn to dusk, with no other ambitions than having ‘four whitewashed walls’ to live on.

Description

Keywords

Educação de crianças pobres, Ditadura em Portugal, Desqualificação dos agentes de ensino, Aprendizagens mínimas, Analfabetismo, Educación de niños pobres, Dictadura en Portugal, Descalificación de agentes docentes, Aprendizajes mínimos, Analfabetismo, Education of poor children, Dictatorship in Portugal, Depreciation of teaching agents, Minimum learning, Illiteracy

Citation

FELGUEIRAS, Margarida Louro; AMORIM, José Pedro. Regentes escolares e alfabetização de crianças pobres em Portugal (1930-1976). Acta Scientiarum. Education, p. e69218. 2024. https://doi.org/10.4025/actascieduc.v46i1.69218. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciEduc/article/view/69218. Acesso em: 2026-02-10

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